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domingo, 25 de setembro de 2011

Outono

«O Outono é uma
Segunda Primavera
Se cada folha
For uma flor.»


Albert Camus

domingo, 21 de agosto de 2011

O que interessa são os sonhos

«Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.»

William Shakespeare

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Felicidade não tem Sinais Exteriores

«A felicidade não tem sinais exteriores; para a conhecer seria necessário ler no coração do homem feliz; mas a alegria lê-se nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece comunicar-se a quem dela se apercebe. Existirá algum prazer mais doce do que ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida?»

Jean-Jacques Rousseau em Os Devaneios do Caminhante Solitário.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Que tudo se refira ao dever

«... Que tudo se refira simplesmente ao dever e ao valor que um homem pode e deve atribuir-se aos seus próprios olhos pela consciência de nunca o ter transgredido; porque o que desemboca em vazios desejos e aspirações a uma perfeição inacessível produz simples heróis de romances que, ao valerem-se do seu sentimento pela grandeza transcendente, se descarregam, em troca, da observância do dever comum e corrente que, então, lhes parece apenas trivialmente medíocre.» (Págs.381/2 - Crítica da Razão Pura, Kant)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Querem planos utópicos?

«Querem planos utópicos: a única solução do problema político e social seria o despotismo dos sábios e dos nobres, duma aristocracia pura e verdadeira, obtida por meio da geração, pela união dos homens de sentimentos altamente generosos com as mulheres mais inteligentes e finas. Esta proposta é a minha utopia e a minha República de Platão.»

Shopenhauer, in A Metafísica do Amor

quarta-feira, 21 de julho de 2010

"Caim", de José Saramago

“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós , nem nós o entendemos a ele .”
José Saramago

Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez fosse melhor dizer para exigir a outros - uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.

Caim não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um livro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia.

Pilar del Río.

Não diria melhor sobre este livro do que disse Pilar, a esposa de José Saramago. Mas quero acrescentar que só ele para conseguir escrever algo assim. Adorei! Deixo-o aqui como uma excelente sugestão de leitura de um dia de Verão.

Sara Gonçalves

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A vontade humana

«No homem a vontade continua a falar mesmo depois de a natureza se calar.»

Rousseau (acerca do tema da liberdade e do determinismo).

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A nossas almas

´A razão porque dói tanto nos separarmos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos... sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será. Mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes.´

Nicholas Sparks

quarta-feira, 24 de março de 2010

«Elevando-nos em afectos mais ardentes...»

«Elevando-nos em afectos mais ardentes por essa felicidade, divagámos gradualmente por todas as coisas corporais até ao próprio céu, donde o Sol, a Lua e as estrelas iluminam a terra. Subíamos ainda mais em espírito, meditando, falando e admirando as vossas obras. Chegámos às nossas almas e passamos por elas para atingir essa região de inesgotável abundância, (…) a própria Sabedoria. (…) Antes, não há nela ter sido, nem haver de ser, pois simplesmente «é», por ser eterna.»


Santo Agostinho, in Confissões.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A maior tristeza de todas

A maior tristeza de todas é não ter tempo para saborear o gosto do mundo.

Sara Gonçalves

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz..."

Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz, passa a vida inteira a lutar por algo que crê que o vai fazer feliz. Não consegue e, quando o consegue, fica desapontado: ele é um náufrago e chega ao porto de destino sem mastros nem cordame. Já não interessa se foi feliz ou infeliz, pois a vida foi sempre apenas o presente, que estava sempre a desaparecer e agora terminou.

Schopenhauer

"Se te interessas muito por Filosofia..."

Se te interessas muito por Filosofia, prepara-te para ser motivo de escárnio de todos. Se persistires no teu interesse, sabe que essas mesmas pessoas te irão admirar depois. (...) E que, se por acaso deres atenção a factos exteriores, para agradar a quem quer que seja, podes ter a certeza que irás arruinar o teu estilo de vida.

Epícteto

"A Filosofia é uma estrada isolada..."

A Filosofia é uma estrada isolada numa grande montanha (...) e quanto mais subimos, mais isolados ficamos. Quem a percorre não a deve temer, mas deixar tudo para trás e abrir caminho, confiante, na neve do Inverno. (...) em breve vê o mundo lá em baixo, as suas praias e pântanos desaparecem de vista, os seus pontos desiguais aplanam-se, os seus sons estridentes já não lhe chegam aos ouvidos. E a sua redondeza surge ao caminhante, que recebe sempre o ar fresco e puro da montanha e desfruta do sol quando tudo, lá em baixo, está mergulhado na escuridão da noite.

Schopenhauer

sábado, 23 de janeiro de 2010

Duas coisas enchem a mente...

«Duas coisas enchem a mente de... espanto e respeito... o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim.»

Immanuel Kant, in Crítica da Razão Prática

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os dois soberanos

«A natureza colocou a humanidade sob o governo de dois senhores soberanos, a dor e o prazer.»

Por Jeremy Bentham, em Introduction to the principles of moral and legislation.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Mostra-me como as pedras são engraçadas..."

«Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.»

Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

De todos os seres

«De todos os seres, o mais antigo é Deus, que não foi engendrado; o maior é o espaço, que tudo contém; o mais rápido é o espírito, que erra por toda a parte; o mais forte é a necessidade, que triunfa de tudo; o mais sábio é o tempo, que tudo descobre.»
Diógenes Laércio

sábado, 12 de setembro de 2009

A Vida e a Arte

«Se tivéssemos uma verdadeira vida não teríamos necessidade de arte. A arte começa precisamente onde cessa a vida real.» Richard Wagner

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"Apenas o que uma pessoa é conta."

Três ensaios de Schopenhauer, resumidos por Irvin D. Yalom na sua obra “De Olhos Fixos no Sol”, que enfatizam a ideia de que “apenas o que uma pessoa é conta”:

1. «O que temos. Bens materiais são uma ilusão. Shopenhauer argumenta, com elegância, que a acumulação de riqueza e de bens materiais é infinita e insatisfatória; quanto mais possuímos, mais desejamos. A riqueza é como a água do mar: quanto mais bebemos, mais sede sentimos. No final, não somos nós que temos os bens, mas os bens que nos têm a nós.
2. O que representamos aos olhos dos outros. A fama é tão evanescente como os bens materiais. Shopenhauer escreve: “Metade das nossas preocupações e ansiedade nasce do valor que damos às opiniões dos outros… Temos de ser capazes de extrair esse espinho da nossa pele.” Tão poderoso é o desejo de causar uma boa impressão que alguns condenados à morte já foram para a cadeira eléctrica mais preocupados com a forma como vão vestidos, e as últimas palavras que vão proferir, do que com qualquer outra coisa. A opinião dos outros não passa de uma ilusão, já que se pode alterar a qualquer momento. As opiniões são voláteis e tornam-nos escravos do que outros pensam ou, pior, do que achamos que pensam – porque nunca poderemos verdadeiramente saber o que lhes vai na cabeça.
3. O que somos. Somente o que somos é fundamental. Uma consciência em ordem, diz Shopenhauer, vale muito mais do que uma boa imagem. O nosso objectivo primeiro deveria ser a saúde e a riqueza intelectual, que nos conduz a um manancial sem fim de ideias criativas, a uma vida independente e moral. A equanimidade interior nasce do facto de sabermos que não são as coisas em si que nos perturbam, mas a interpretação que lhes damos

Le fou

«Le fou n´est pas l´homme qui a perdu la raison. Le fou est celui qui a tout perdu,excepté la raison.» G.K. Chesterton