O termo “átomo” significa “indivisível”. Para Demócrito, era fundamental que aquilo a partir do qual tudo é formado não pode ser dividido em partes cada vez mais pequenas. Se os átomos pudessem ser constantemente divididos em partes cada vez mais pequenas, a natureza teria começado a fluir como uma sopa cada vez mais liquída.
Os elementos constitutivos da natureza tinham ainda de se conservar eternamente – porque nada pode nascer do nada. (…) Além disso, os átomos eram sólidos e compactos. Mas não podiam ser iguais. Porque se os átomos fossem iguais, não teríamos uma explicação válida para o facto de poderem ser combinados de modo a formarem tudo, desde papoilas e oliveiras a pele de cabra e cabelo humano.
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Quando um corpo – por exemplo, uma árvore ou um animal – morre e entra em decomposição, os seus átomos dispersam-se e podem ser utilizados de novo em novos corpos. Os átomos movem-se no espaço vazio e agregam-se para formar as coisas que vemos à nossa volta.
E agora já percebes o que eu queria dizer com as peças do Lego? Elas possuem mais ou menos as propriedades que Demócrito atribuiu aos átomos, e precisamente por isso se pode construir tão bem com elas. Em primeiro lugar, são indivisiveis. São diferentes em forma e em tamanho, são sólidas e impenetráveis. Além disso, as peças do Lego têm “ganchos”, com os quais podem ser encaixadas umas nas outras; por isso podem ser transformadas em todas as figuras possíveis. Esta combinação pode ser mais tarde desfeita e depois construirem-se novos objectos a partir das mesmas peças.
E foi justamente o facto de poderem ser sempre usadas de novo que tornou o Lego tão popular. Uma e a mesma peça de Lego pode fazer hoje parte de um carro, e amanhã de um palácio. Além disso, é possível dizer que as peças do Lego são “imortais”. As crianças de hoje podem brincar com as mesmas peças com que os seus pais brincaram quando ainda eram pequenos."
