quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Le fou
terça-feira, 25 de agosto de 2009
"A Batalha de Berlim" (Canal de História)

Nem uma palavra
Oiço dessa tua doce voz
Que se calou.
Nem uma palavra
Sai dessa tua boca
Perfeita.
O passado afasta-se, veloz.
Sem pena de quem amou,
Sem pena da amargurada
Mulher que, oca,
Neste instante te implora.
[Uma palavra.]
Nem uma palavra
Igual a todas aquelas que dizias,
E dentro de ti não aprisionavas.
Nem uma palavra
Sai desse coração
Assustadoramente errante.
Versos sonoros fazias,
Todos eles a mim entregavas
Com essa tua mão
Que logo me tocava. Suavemente.
Mas, agora, nem uma palavra
Me dizes, me entregas, me sopras.
E eu choro.
No silêncio das sombras,
Eu choro.
domingo, 23 de agosto de 2009
"Piaf", de Filipe La Féria
Piaf é um apaixonante musical de Filipe La Féria, segundo o texto de Pam Gems, sobre a vida de Edith Piaf, protagonizado por Wanda Stuart e Sónia Lisboa. O elenco conta ainda com Noémia Costa e o seu brilhante papel na pele de "Toine", a amiga de sempre da maior cantora francesa de todos os tempos. Neste momento, a peça está no teatro Politeama, em Lisboa. O preço do bilhete vai desde os 15 aos 30 euros, e o horário do espectáculo é às 21h30, de Terça a Sexta-feira, e às 17h00 aos Domingos. Para mais informações podem sempre consultar o site http://www.teatropoliteama.pt/politeama.
Imperdível para os amantes do teatro!
sábado, 22 de agosto de 2009
A ideia do eterno retorno em "Assim Falava Zaratustra"
sábado, 15 de agosto de 2009
"Para ti", Mia Couto
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida."
Outubro 1981
Mia Couto, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
"A Metamorfose", de Kafka
A Metamorfose começa assim: “Um dia de manhã, ao acordar dos seus sonhos inquietos, Gregor Samsa deu por si em cima da cama, transformado num insecto monstruoso.”
Quando contamos esta história a alguém, a primeira reacção das pessoas é dizer que ela é “pura estupidez”. No entanto, é ao lê-la (bem, sublinhe-se) que percebemos o seu conteúdo e, mais importante, a sua mensagem. O que Kafka faz é nada mais nada menos que tentar elucidar-nos acerca de alguns aspectos: em primeiro lugar, a situação da solidão humana. No fundo, não adianta estarmos sozinhos ou acompanhados, pois o nosso passado e as nossas experiências são únicos. Em segundo lugar, está patente uma certa fuga ao trabalho, à família, às responsabilidades… À sociedade. No entanto, depois da fuga, há um grande sofrimento que surge à medida que Gregor vai percebendo que, sendo diferente, já não consegue comunicar o que sente nem fazer com que os outros o oiçam. Depois de algumas pesquisas, percebi ainda que a obra tem também a ver, em muito, com a própria vida do autor, pois este, quando chegava a casa depois de mais um dia de trabalho cheio de rotinas burocráticas e burocratizantes, deitava-se no sofá da sala e comentava que se sentia como um grande insecto. Isto porque todo o seu dia era uma limitação ao uso de sua criatividade.
Assim sendo, concluímos que a obra retrata a condição humana oprimida e alienada pela sociedade moderna, sendo esta última, sistematicamente, uma subjugação da mente humana. A nossa liberdade é cada vez mais limitada e, quando percebemos que caímos na fatal rotina dos dias, tornamo-nos como um insecto que, devido às suas limitações, não se consegue pôr de pé.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Amar em Silêncio
O silêncio que entre nós
Tão bem conseguimos suportar.
É igualmente as silenciosas palavras
Que docemente, tão docemente!, colhemos
E, a olharmo-nos, cantámos.
Este poema é apenas e só
O sentimento que nasceu dentro de nós
E nos fez em acolhedor silêncio amar
Este amor. Um Amor que guardámos nas estrelas
E com o silêncio eternizámos
Para com tão grande distância Viver.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
A loucura
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Sentada a ouvir Chopin
Avisto da janela um castelo dourado.
É ali que o Sol nasce a cada manhã
Só para ver meu triste Fado.
Todos os dias engano o meu Amor,
Dizendo vorazmente que já o esqueci
E que as lágrimas não são de dor…
Todos os dias me engano a mim.
A música embala a minha mente,
Mas não cura a colossal saudade
De um coração que ama tão fortemente
Sem poder fazê-lo em liberdade.
Penso em tudo e penso em nada,
Porque o meu nada é o tudo
Que me deixa aprisionada
Nas muralhas de um castelo inventado.
A cadeira vazia
Estava a jantar num restaurante com a minha família. Havia um enorme barulho de fundo, mas mesmo assim o silêncio que se encontrava na nossa mesa ouvia-se melhor. Um silêncio avassalador para aqueles que me olhavam sem saber o que dizer. Banhada pela habitual nostalgia, vi que à minha frente se encontrava uma cadeira vazia. E vazia permaneceu durante minutos, longos minutos que se tornaram em horas e longas horas que se tornaram em tempo indefinido. Neste momento, ainda lá está: intacta, oca, esperando pelo dia de amanhã. Mais um dia em que o meu coração baterá apenas por bater.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A Missão
Aconselho vivamente o visionamento deste filme. Além de contar com uma grande interpretação de Robert de Niro, baseia-se numa história verídica (ainda que nos custe a crer), tem paisagens sublimes da América do Sul e ainda uma banda sonora fantástica, deliciosa, arrebatadora. Quase sem palavras! Apesar de ser suspeita, pois sou uma enorme fã do compositor Ennio Morricone, só pela música vale a pena ver "A Missão".
