Cada alma vê o mundo de maneira diferente. A vida, quando vivida, torna-se para todos um bailado de verdades e mentiras, factos e sonhos. E é neste mar de antíteses que todo o ser respira, avistando inevitavelmente um horizonte e sendo ele próprio o horizonte de si mesmo.
«Elevando-nos em afectos mais ardentes por essa felicidade, divagámos gradualmente por todas as coisas corporais até ao próprio céu, donde o Sol, a Lua e as estrelas iluminam a terra. Subíamos ainda mais em espírito, meditando, falando e admirando as vossas obras. Chegámos às nossas almas e passamos por elas para atingir essa região de inesgotável abundância, (…) a própria Sabedoria. (…) Antes, não há nela ter sido, nem haver de ser, pois simplesmente «é», por ser eterna.»
Comprei, recentemente, uma edição de luxo de Ennio Morricone intitulada Ennio Morricone in Venice - Live at Piazza San Marco. O pack traz o dvd do concerto na Praça de S. Marcos, em 2008, dois cd's e um book sobre as músicas. Juntamente com a orquestra sinfónica de Roma (que é, no mínimo, espectacular!), Morricone oferece aos seus fãs e a todos os bons apreciadores de música clássica um concerto memorável. Ao assistir ao evento pelo pequeno ecrã, senti arrepios do início ao fim. Aconselho vivamente a compra deste pack (podem adquiri-lo em qualquer Fnac do país por 29,90 euros). Além da maravilhosa comunhão entre maestro e orquestra e, claro, da singularidade das músicas do compositor italiano, o dvd mostra belíssimas imagens de Veneza, bem como algumas frases inspiradoras. Ennio Morricone nasceu em Roma, em 1928 e, ao longa da sua vida, já foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 filmes e programas de televisão. Das suas trilhas sonoras mais conhecidas, destaco Era uma vez no Oeste (1968), Era uma vez na América (1984), A Missão (1986), Os Intocáveis (1987), Cinema Paraíso (1988) e Lolita (1997). Ennio Morricone venceu cinco prémios BAFTA entre 1979 e 1992. Foi também nomeado pela Academia de Hollywood para cinco Óscares de "Melhor Banda Sonora Original" entre 1979 e 2001. Em 2007, Morricone recebeu pelas mãos do actor e realizador Clint Eastwood um Óscar honorário "pelas suas magníficas e multifacetadas contribuições musicais ao cinema".
Se quiserem saber mais sobre este meu ídolo, aqui fica o endereço na Internet:
http://www.enniomorricone.com/
Deixo também alguns links com partes de alguns concertos, um deles com a presença da grande figura da música portuguesa (com quem Morricone gravou um disco - Focus -, em 2003), Dulce Pontes.
Na mais bela cidade, havia de tudo um pouco naquela manhã de Sábado: miúdos a brincar, pais a namorar, idosos a conversar na “Brasileira”, escuteiros a vender baralhos de cartas para o dia do pai, comerciantes com discursos retóricos. No meio de todo aquele cenário, foi o essencial, invisível aos olhos, aquilo que me despertou mais a atenção: a alegria daquela gente perante uns simples raios de sol.
Todos nós pensamos que são as “coisas” que formam o mundo. Aqui está o erro da Humanidade. Como diria o filósofo Wittgenstein, "o mundo não é feitos de coisas, mas sim de factos". Se um indivíduo comprar um carro e atropelar alguém, foi o seu acto que fez mudar a vida das pessoas envolvidas e não o objecto. Os bens materiais são o que de menor há no nosso planeta, ainda que muitos, ao criá-los, tenham alcançado o apogeu da sua carreira.
Cada vez mais se fazem filmes e livros sobre o fim do mundo, nomeadamente sobre o dia 21 de Dezembro de 2012 que, segundo consta no calendário dos Maias (que previram e acertaram na chegada do homem branco, Hernan Corteza, em 1519, por exemplo) porá termo ao planeta Terra tal como o conhecemos hoje. Se tal acontecer, todas as coisas que fomos adquirindo ao longo de uma vida se tornam supérfluas, pois desaparecerão da nossa vista num ápice.
Pergunto: Se sobrevivêssemos a uma catástrofe, o que restaria?
Respondo: Recordações.
Acredito que a memória é o bem mais precioso do Homem, pois é ela que preserva os factos que constroem o mundo. Não são os escritos, os documentários, não! É na nossa cabeça que está tudo aquilo que fomos, somos e tudo aquilo que, um dia, queremos vir a ser.
Se aliarmos a força da mente às sensações, podemos dar a volta ao mundo em 80 dias, tal como nos contou Júlio Verne. Porém, o Homem já não quer dar a volta ao mundo. O Homem quer passar férias na Lua e tentar provar que há vida em Marte para depois se mudar para lá (seria mais fino).
O mesmo animal que passou por guerras mundiais sangrentas, que foi prisioneiro de campos de concentração, que foi escravo de gulags, que chorou e chora com perdas irremediáveis, só olha para as “coisas” e não para uma História que deveria servir de estímulo para remediar males passados e evitar tragédias futuras.
Destruímos cada vez mais o nosso planeta e, um dia, já não haverá raios de sol para alegrar o nosso dia, apenas uma enorme escuridão, a mesma que, neste momento, nos impede de ver o que está diante dos nossos olhos.
Vi a alegria das pessoas que passavam nas ruas com uns simples raios de sol. Mas será que elas sabiam que era o sol o motivo da sua alegria?
O sol estava alto, quente e aconchegante. No entanto, a resposta preferiu vir de encontro à tristeza que vive no meu coração.
Quando fiz 19 anos, a minha comadre ofereceu-me um livro intitulado Quando Nietzsche chorou. Disse-me que queria presentear-me com algo relacionado com a Filosofia, mas um pouco mais “leve”, em género de romance.
Lembro-me de ter devorado o referido livro no espaço de pouco tempo e de o ter achado tudo menos “leve”. A obra culmina com a libertação de Nietzsche. Ao conseguir compartilhar a sua solidão com outro ser humano, o filósofo consegue finalmente chorar.
Nunca tinha ouvido falar no nome deste autor. No entanto, com a sua escrita e história hipnotizantes, Irvin D. Yalom passou, desde então, a ser uma referência no meu gosto literário.
Yalom, nascido a 13 de Junho de 1931 em Washington DC, Estados Unidos, é filho de imigrantes russos. Formou-se em psiquiatria na Universidade de Stanford e nesse mesmo lugar vive há já 47 anos.
Tornou-se conhecido quando a sua obra Love's Executioner and Others Tales of Psychotherapy, publicada em 1989, alcançou a lista de livros mais vendidos nos Estados Unidos. Na mesma linha, seguiu-se Momma and the Meaning of Life (1999). O seu primeiro romance foi o já citado Quando Nietzsche Chorou, publicado em 1992.
De Olhos Fixos no Sol foi o segundo livro que li de Irvin D. Yalom, uma viagem proporcionada pelo testemunho de pacientes anónimos que nos dão a conhecer a sua experiência com a morte.
Mais recentemente, li A Cura de Schopenhauer. Posso dizer que esta última obra me marcou de uma forma diferente. Mais avassaladora.
A Cura de Schopenhauer é a história de Julius, um terapeuta de sucesso que, perante a iminência da morte, se vê obrigado a fazer um balanço de toda a sua vida. Philip Slate foi um ex-paciente a partir do qual Julius recorda o grande falhanço da sua carreira.
Na tentativa de fazer as pazes com o seu passado, Julius contacta-o para fechar o último capítulo deixado em aberto. Mas Philip é agora um homem diferente e propõe uma troca. Simultaneamente o autor tece a teia da história verídica de Arthur Schopenhauer e envolve-a na narrativa, provocando uma leitura compulsiva e oferecendo uma lição sobre a influência do filósofo alemão no pensamento contemporâneo.
A narrativa de A cura de Schopenhauer move-se em várias direcções, mas todas elas convergem num todo. Uma maravilhosa aventura emocional e intelectual, de deslumbrante intensidade.
Um misto de Psicologia, Psiquiatria, Filosofia, drama e romance, que nos faz voar além do imaginário.
Esta é uma história de luta, coragem e determinação baseada na vida de Clareece "Precious" Jones. Um filme de Lee Daniels, com Gabourey 'Gabby' Sidibe, Paula Patton, Mariah Carey, Mo'Nique e Lenny Kravitz, nomeado para seis categorias de Óscares da Academia de Hollywood. Estreia amanhã, dia 11 de Fevereiro de 2010.
Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz, passa a vida inteira a lutar por algo que crê que o vai fazer feliz. Não consegue e, quando o consegue, fica desapontado: ele é um náufrago e chega ao porto de destino sem mastros nem cordame. Já não interessa se foi feliz ou infeliz, pois a vida foi sempre apenas o presente, que estava sempre a desaparecer e agora terminou.
Se te interessas muito por Filosofia, prepara-te para ser motivo de escárnio de todos. Se persistires no teu interesse, sabe que essas mesmas pessoas te irão admirar depois. (...) E que, se por acaso deres atenção a factos exteriores, para agradar a quem quer que seja, podes ter a certeza que irás arruinar o teu estilo de vida.
A Filosofia é uma estrada isolada numa grande montanha (...) e quanto mais subimos, mais isolados ficamos. Quem a percorre não a deve temer, mas deixar tudo para trás e abrir caminho, confiante, na neve do Inverno. (...) em breve vê o mundo lá em baixo, as suas praias e pântanos desaparecem de vista, os seus pontos desiguais aplanam-se, os seus sons estridentes já não lhe chegam aos ouvidos. E a sua redondeza surge ao caminhante, que recebe sempre o ar fresco e puro da montanha e desfruta do sol quando tudo, lá em baixo, está mergulhado na escuridão da noite.
A Teoria das Ideias advém dos pressupostos teóricos detectados na questão fundamental dos diálogos platónicos – “O que é X?”. O simples facto de perguntarmos o que é um determinado x já é algo que nos transcende. A realidade não se reduz, portanto, àquilo que dela nos aparece. Platão acentua bem esta última declaração numa passagem da República, ao afirmar que “tudo no sensível é e não é aquilo que dizemos [ou vemos] ser”.
Para o filósofo há dois planos fundamentais: o plano do transcendente (ou inteligível) e o plano da imanência. O primeiro, como o nome indica, transcende a esfera da nossa experiência e pressupõe uma “leitura interior”. Nele, existe o próprio x encarado em si e por si mesmo. O segundo plano assenta na esfera da nossa experiência mais imediata sendo, claro está, o plano do sensível ou visível, onde não temos uma coisa x, mas sim várias coisas x.
Platão, com a sua teoria, pretende mostrar que as coisas sensíveis são apenas sombras ou, de outra forma, imagens imperfeitas derivadas das ideias. Para o mestre de Aristóteles, as ideias são formas, modelos perfeitos, arquétipos, eternos e imutáveis, que constituem o tal mundo transcendente. Os particulares existentes no mundo nascem e morrem; as ideias permanecem.
Suponhamos que estamos perante várias coisas belas: um livro, um quadro e uma flor. Todas elas diferem umas das outras de várias e óbvias maneiras mas, se formos excluindo todas as características das quais não partilham, chagamos ao que têm em comum. Neste caso, todas as coisas citadas são belas. A beleza é, aqui, a ideia da qual este conjunto de particulares apresentado participa. Ela tem de existir além de todas as coisas sensíveis que existem, pois nenhum dos particulares é a beleza em si.
Tudo o que nos chega da experiência sensível é apenas o reflexo efémero da ideia. Para Platão, só através da reflexão filosófica, ou seja, de ler o mundo com os olhos da inteligência, podemos alcançar o verdadeiro conhecimento: o conhecimento das ideias perfeitas.
Ensinaste-me que o céu é o limite. Que para o atingir, bastava lutar E não permitir que qualquer sentimento triste Nos impedisse de sonhar.
Ensinaste-me a vencer batalhas E a aprender com as derrotas. Num mundo cruel, cheio de armadilhas, Mostraste-me como enfrentar as horas,
As horas que correm no relógio da vida E que agora me ferem com tal celeridade. Tantas, tantas saudades da partilha escondida Que outrora me enchia de felicidade!
Ensinaste-me tudo o que podia aprender Talvez até mais do que possas imaginar! Só não me disseste que nunca me irias oferecer A tua mão, na escuridão deste lugar.
Assim como eu me esqueci de te contar Que o meu limite não é o céu estrelado, Mas alguém que, com um simples olhar, Me fez respirar o mundo inteiro: Tu.
Sara Gonçalves, Torres Vedras, 8 de Fevereiro de 2010.
A Sétima Porta, de Richard Zimler O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder A República, de Platão Confissões, de Santo Agostinho Crítica da Razão Prática, de Kant A Papisa Joana, de Donna W. Cross Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom A Cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago Chamava-se Sara, de Tatiana de Rosnay Toda a obra de Fernando Pessoa! ...
O que se vai lendo em Filosofia:
Historia de la Filosofia - 7, de Copleston Sobre la Quadrupla Raiz del Principio de Razon Suficiente, de Schopenhaer O Mundo Como Vontade e Representação, de Schopenhauer Ética Prática, de Peter Singer Freud - Autobiografia Intelectual, «Relógio d'Água» ...