Cada alma vê o mundo de maneira diferente. A vida, quando vivida, torna-se para todos um bailado de verdades e mentiras, factos e sonhos. E é neste mar de antíteses que todo o ser respira, avistando inevitavelmente um horizonte e sendo ele próprio o horizonte de si mesmo.
Três eras, três histórias e três mulheres sem ligação aparente, mas ambas são parte num continuum que é a base para este filme. Três mulheres sem a noção de que apenas uma obra singular e poderosa pode mudar-lhes a vida. O livro é Mrs. Dalloway, a excelente novela de Virginia Wolf. As mulheres são Virginia Wolf, a própria autora, Laura Brown, um mãe e esposa que vive em Los Angeles no final da 2ª Guerra Mundial e que através da leitura de Mrs. Dalloway pode mudar a sua vida para sempre, e finalmente, Clarissa Vaughan, uma versão actual de Mrs. Dalloway, que vive em Nova Iorque e está apaixonada por um poeta brilhante doente de sida. Do cineasta inglês Stephen Daldry, com as interpretações de Meryl Streep como Clarissa Vaughn, Julianne Moore no papel de Laura Brown e Nicole Kidman no papel de Virginia Woolf. Um dos melhores filmes que vi até hoje. De uma forma verdadeiramente arrepiante, faz pensar no sentido da nossa própria existência. Não percam a oportunidade de ver!
´A razão porque dói tanto nos separarmos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos... sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será. Mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes.´
Hoje, e não me perguntem porquê hoje – eu não sei -, decidi ir ver fotografias e vídeos da minha antiga escola, em Torres Vedras. Invadida por uma enorme nostalgia, achei que seria bonito colocar aqui um artigo que publiquei, no ano lectivo 2008-09, no jornal da associação de estudantes da Madeira Torres “Feedback”. Também já o havia publicado no meu antigo blogue. Para quem não leu, aqui fica uma vez mais o meu testemunho.
“Madeira Torres”, minha querida escola
Como dizia André Leroi-Gourhan, “As imagens têm duas maneiras de cativar: pelo que contêm de belo e pelo que conservam do pensamento”.
Quando olhei para as tuas paredes pela primeira vez, elas nada me disseram. Envoltas num profundo silêncio, ignoraram a minha chegada a um lugar que eu já conhecia, mas só de ouvir falar. No entanto, com o passar do tempo, como que por magia, elas começaram a ganhar cor e a aconchegar a minha estada. Fui-me apercebendo que a escola, mais do que um simples espaço onde se aprende matérias de diversas disciplinas, é o nosso segundo lar (um paraíso, até). Quase sem dar por isso, passamos a saber de cor onde fica cada sala, cada mesa, cada cadeira. Os professores sorriem-nos ao passar por nós e os funcionários ralham quando não passamos o cartão magnético, o que, a início, irrita, mas, depois, faz rir. São essas tuas paredes as testemunhas de tais acontecimentos. Atentamente, vêem sorrisos, ouvem choros, respiram perfumes, aplaudem vitórias e lamentam derrotas. Hoje, são o espelho de momentos que, por mais pequenos que possam parecer no instante em que os vivemos, nos marcam.
As horas passam, os dias correm, o tempo voa. Um dia, chega a hora de nos despedirmos. Lembro-me que no meu último dia de aulas do 12ºano, olhei à volta, aproveitando cada segundo (naquele momento, ainda mais efémero) e vi à minha frente imagens passadas num espaço que se tornou tão marcante na minha vida. Isto porque foi nele que eu aprendi com os melhores professores, fiz os melhores amigos e participei nas actividades mais divertidas. É por isso que, falando não apenas por mim, mas também por todos aqueles que amam esta escola tal como eu, digo com toda a ternura: obrigada “Madeira Torres”. És uma das cinco melhores escolas a nível nacional; no meu coração, ocupas inexoravelmente o primeiro lugar.
Cativas-me pelo que tens de belo e pelo que de ti conservo no pensamento.
A Sétima Porta, de Richard Zimler O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder A República, de Platão Confissões, de Santo Agostinho Crítica da Razão Prática, de Kant A Papisa Joana, de Donna W. Cross Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom A Cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago Chamava-se Sara, de Tatiana de Rosnay Toda a obra de Fernando Pessoa! ...
O que se vai lendo em Filosofia:
Historia de la Filosofia - 7, de Copleston Sobre la Quadrupla Raiz del Principio de Razon Suficiente, de Schopenhaer O Mundo Como Vontade e Representação, de Schopenhauer Ética Prática, de Peter Singer Freud - Autobiografia Intelectual, «Relógio d'Água» ...