sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Exame de Filosofia vai ser reposto no Secundário
Aqui está uma boa notícia:
http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/exame-de-filosofia-vai-ser-reposto-no-ensino-secundario_1467021
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Dia Internacional da Filosofia
Não venho definir o que é a Filosofia, porque ela não se define. Podia fazer da tentativa de a definir a minha vida; porém, prefiro senti-la.
Respiro-a no meu quarto, cheio de livros e imagens de homens que, de uma forma ou de outra, mudaram o mundo. Nunca me sinto sozinha, porque tenho-os sempre comigo. Se tiver problemas, muito provavelmente eles irão conseguir dar-me uma resposta. Seja satisfatória ou insuficiente, só isso já me faz sentir melhor. Permite-me perceber que a vida nos abre várias portas. Por qual delas iremos passar só a nós cabe decidir. Porque o homem é dotado de livre-arbítrio, de vontade própria. Contudo, pode existir um tal Deus que nos tenha pré-determinado. E o facto de pensar nele já o faz existir. Que importa? Se me sinto livre, é essa liberdade que tenho de viver. Tudo aquilo que me transcende eu não poderei alguma vez conhecer; mas posso sempre imaginar que sim.
Discutir sobre estes assuntos é saudável. Se tal discussão não fosse possível nem sequer existiriam filósofos. E depois, o que seria de mim? O que seria de mim se me convencessem por breves instantes que a Filosofia não existe ou que é uma perda de tempo? Provavelmente, eu seria um ser infeliz. Se fosse infeliz, por certo iria questionar-me sobre o que é a “infelicidade”. É dor? E o que é dor? E a felicidade que sinto ao ditar estas palavras? O que é esta felicidade? Prazer e ausência de dor? Não me parece. Aí já estaria a entrar no Hedonismo; e o que se seguiria? O mais certo era cair no estado de ataraxia como os epicuristas ou Ricardo Reis, que por sua vez se inspirou em Epicuro. Não! Prefiro viver na ignorância, sem saber se sou feliz ou infeliz, mas deixando sempre entrar em mim, a cada instante, a paixão que é a Filosofia. Asseguro-vos: é-me de todo manifestamente impossível falar de Filosofia sem falar de amor.
Encerro o meu discurso de aprendiz corroborando o que já antes havia dito. Que prefiro sentir a Filosofia; acrescentado: e amá-la. E indo contra a ideia de que ela não se define, afirmo que se é amor que nela vejo, é com amor que ela se define.
Sara Gonçalves
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Os Sinos de "Bel-Ami"
Um pouco sobre Bel-Ami:
Bel-Ami é um romance do escritor francês Guy de Maupassant, publicado em 1885. No retrato de Georges Duroy, o autor traça um perfil subtil e mordaz da sociedade parisiense no final do século XIX. Mais conhecido por Bel-Ami, Duroy é um rapaz pobre que procura afirmação social na “cidade das luzes” e que usa as mulheres como meio para alcançar os seus objectivos.
Os sinos de Bel-Ami:
Nesta obra, Maupassant criou de uma forma sublime a cena da meia-noite, hora em que os amantes George Duroy e Suzanne ficaram de se encontrar para fugir.
Segundo um dos maiores cineastas de todos os tempos, Eisenstein, o “tema fundamental da cena” é desenvolver a mesma sob todas as suas perspectivas, efectuando a passagem de uma realidade empiricamente presente a uma realidade superior, omnisciente.
Esta passagem de Maupassant retrata muitíssimo bem o exemplo de uma “montagem literária”. A lua cheia que surge entre as nuvens escuras ou o lobo que uiva à beira de um penhasco chamam-nos a atenção para as zero horas que se aproximam. Não obstante, são os sinos da cidade que causam um verdadeiro choque no espectador. O seu efeito não é o de anunciar a mera informação horária, mas sim a “meia-noite” fatal. O ecoar é subjectivo e não vem apenas de um lugar: vem de diferentes lugares, de todos os cantos da cidade de Paris, ao mesmo tempo. O objectivo é precisamente levar o espectador a sentir a dor de um homem que se sente abandonado. Os sinos de Bel-Ami são a representação da inquietação febril de Duroy, que a cada badalada, pensa:
“Acabou. Ela não vem”.
Sara Gonçalves
Nota: Bel-Ami será adaptado ao cinema já no próximo ano de 2011. Podem ver o primeiro trailer aqui: http://www.youtube.com/watch?v=PacpX8BkLnk.
domingo, 14 de novembro de 2010
Porque as coisas são boas?
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Utopia - para quê?
A palavra «utopia» foi criada por Thomas More e significa, à letra, o «não-lugar» [u-topos]. Representa uma ilha habitada por uma comunidade fechada e feliz, situada fora do espaço e do tempo empíricos. É «Rafael Hitlodeu», personagem principal da obra a par do próprio More, quem a descreve no Livro II.
O livro de que aqui se fala termina com uma frase proferida pelo autor que faz o leitor permanecer incógnito quanto ao verdadeiro objectivo da obra: «Porém, devo confessar que há muitas coisas na sociedade utopiana que eu desejo, mais do que espero, ver seguidas pelos nossos cidadãos.» Segue-se então a pergunta: qual o verdadeiro propósito da Utopia? As respostas são díspares e foram surgindo ao longo dos tempos. Comecemos pela ideia de que a intenção da sociedade utopiana é a aplicação de todas ou algumas das suas instituições nas sociedades reais e distópicas. Estamos no âmbito da «practopia» ou da «utopia posta em prática», uma espécie de «programa político». No entanto, e uma vez que ao longo da sua vida os homens pensam sempre através de termos de comparação, a Utopia pode servir antes para fazer essa confrontação com a sociedade real e permitir uma crítica social radical (entenda-se radical no sentido de ir à raiz dos problemas). Neste domínio, a Utopia é para pensar e não para ser posta em prática. Um terceiro ponto de vista diz respeito a uma forma de nostalgia do passado, um passado não mercantilista. A meu ver, esta é a hipótese menos apelativa, ao contrário da quarta que surge como extremamente plausível: a Utopia vista como uma fuga ao mundo real, uma espécie de conversão cristã mística. Esta é a conjectura de André Prevost, que analisa a sociedade utopiana como uma espécie de encadeamento iniciático ou, por outras palavras, um apelo à mudança interior individual. Finalmente, e com um grau de atracção semelhante ao da hipótese 3, temos a Utopia como uma simples antecipação visionária. Penso que esta visão está mais ligada às contra-utopias que surgiram no século XX, como por exemplo O Admirável Mundo Novo, onde Huxley anteviu a reprodução artificial que já é uma realidade nos dias que correm. Quem fala desta, fala também de 1984, de George Orwel, uma antecipação do «Big Brother» dos tempos modernos.
Não querendo terminar este texto sem dar uma resposta aos leitores, penso que o único caminho a seguir para sair do labirinto moreano é este: tomar simplesmente a Utopia como uma «enunciação de possíveis».
Sara Gonçalves
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Biblioteca Digital
Deixo-vos aqui a indicação de uma biblioteca digital onde podem encontrar livros, músicas, filmes (em particular todos os grandes êxitos de Hitchcock), etc, absolutamente gratuitos e legais:
http://archive.org.
Divirtam-se!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Perfeição Inatingível
A perfeição é um mal terrível.
Querer atingi-la, dizem os outros,
É impossível. No entanto, eu quero-a.
Tal desejo é tão colossal que me faz
Pensar que não haverá nada por aí
Que dulcifique tanto o meu coração.
Vivo ansiosa por matar esta sede!
Uma sede que nem mesmo o maior
Oceano de água doce poderá saciar.
Só quero ser perfeita. Só perfeita.
E a vontade é tanta que me deixo ir
Pela corrente mortífera do sonho...
A uma velocidade assustadora
Sou arrastada e caio da cascata
Que chora com sofreguidão.
O incolor das minhas lágrimas
Mistura-se com o incolor desse rio
Que é a vida, antítese de perfeição.
Sara Gonçalves
Braga, 21 de Outubro de 2010.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
"Mistérios de Lisboa"
Estreia na próxima Quinta-Feira, dia 21, nas salas de cinema portuguesas.
sábado, 16 de outubro de 2010
Andar de mãos dadas com o sonho
Andar de mãos dadas com o sonho
Só me fez abraçar a desilusão.
É perigoso desejar,
Mas ainda é mais perigoso desejar
O que nunca se terá.
Perdi-me naquela maré
Onde outrora embarquei
Convicta de que chegaria
A um lugar que agora sei que é pura quimera.
Porque só vive aqui. No pensamento.
Construi esse sítio de que falo
Com alicerces frágeis e disformes,
Em momentos que hoje não sei distinguir
Se eram de puro êxtase,
Se eram de puro desespero.
Conformei-me.
Para quê sofrer?
Contento-me com o meu nada.
Este nada quedo e silente.
Um nada que, ainda que seja nada, é real.
Sara Gonçalves
Braga, 16 de Outubro de 2010.
