sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Num sonho vejo a realidade


Num sonho vejo a realidade.

Longínqua.

Pensamento que mata.

Consome!

Por dentro.

Todos os dias.

Como se estivesse a acontecer,

Toco no teu rosto.

Devagar.

As tuas mãos abraçam-me o peito.

Tudo aquece.

Desabrocha o querer.

Querer ser tudo ao mesmo tempo:

O sol, a lua, a terra, o mar.

Segredas-me o “sim”

Que há tanto tempo desejo

E a impossibilidade do teu corpo

É agora a possibilidade

De um mundo perfeito.

Sinto o teu cheiro.

O teu olhar é o espelho da alma.

Da minha alma que agora te tem.

É como se te tivesse desde sempre.

É como se o fizéssemos desde sempre.

Porque ambos sabemos que é sincero

E o sincero apaga o impossível.

O sonho confunde-se com a realidade.

A realidade confunde-se com o sonho.

E apenas fica o amor.

Perfeito.

Sara Gonçalves

Torres Vedras, 17 de Setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ver-te a ti como a ela

Hoje, acordei e pensei em ti. Não me perguntes porquê, sei que é estranho. Porém, agora faz sentido. Nas nossas veias corre o mesmo sangue. Estamos ligadas, de certa maneira. Por isso, é concebível que hoje, logo hoje, tenha acordado a pensar em ti. Inexplicavelmente, senti que alguma coisa se tinha passado…

Foi no dia anterior. Caíste de repente devido à tua cegueira, partiste uma perna e foste internada de urgência em Torres Vedras.

Só o soube há pouco, mas assim que a minha comadre me pôs a par do sucedido, corri para o hospital. Fiquei aliviada ao saber que a operação tinha corrido bem, no entanto, decidi não deixar para amanhã a minha visita, pois a vida tem o poder de nos surpreender a qualquer momento.

Não pensei na forma como iria reagir ao ver-te tanto tempo depois. Não pensei, porque não quis. Tento confiar na força que tenho dentro de mim e que nunca me abandonou nas alturas mais delicadas. Mais uma vez, aguentei-me. Mantive-me firme. E não deixei cair lágrimas.

Não foi fácil, sabes? Quando entrei no quarto onde estavas acamada, tive um choque: ao olhar-te, vi outra pessoa. Vi ela. A minha avó, a minha querida avó que partiu há mais de um ano e meio e da qual ainda hoje não esqueço o cheiro, a voz e todo o amor que de si transbordava. Posso sentir, agora mesmo, o calor do seu corpo abraçado ao meu.

Ver-te a ti como a ela. Foi o que me aconteceu. Já não me lembrava de como vocês as duas são parecidas! Podiam muito bem ser gémeas. Pelo menos, têm o mesmo cabelo, o mesmo rosto, a mesma pele macia e perfumada… e a mesma bondade.

Tia, também cresci contigo. Recordo-me muito bem das tardes passadas em tua casa. Dos teus lanches deliciosos e das tuas gargalhadas no quintal. Porém, há um momento que se destaca: aquele em que nos sentávamos as três à janela da sala, eu, tu e ela, a ver quem passava e a coscuvilhar sobre as suas vidas. A nossa cumplicidade era única! Vocês faziam-me rir. Rir com gosto!

Tenho saudades dela. Já a perdi para um mundo melhor que este. Não te quero perder a ti. É egoísmo da minha parte, eu sei. No entanto, a imagem da mulher deitada na cama de hospital com a mesma camisa de dormir, os mesmos lençóis e a mesma fisionomia não me sai da cabeça.

Amanhã, irei ver-te outra vez. Vais ouvir o quanto te amo e o quão bem me fazes. Tenho sido uma sobrinha desnaturada. Estudo longe, mas não posso servir-me dessa desculpa para tudo. Prometo que irei visitar -te mais vezes para poder ouvir as mesmas gargalhadas deliciosas que ouvi hoje. Prometo que irei deixar-te tocar mais vezes nas minhas bochechas e no meu cabelo para que me possas ver por inteira, uma vez que os teus bonitos olhos azuis já não o conseguem. Prometo que irei mimar-te o mais que puder. Prometo, porque é a única coisa que está ao meu alcance.

Acredita no que te digo, querida tia. Se pudesse, dava-te os meus olhos e a à minha avó a vida. Mas não posso. Resta-me esperar que ambas se orgulhem de mim e da mulher em que me tornei. Devo-vos quase tudo.

Rápidas melhoras!


Sara Gonçalves

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Viagem a Itália - Parte II (Milão)

E era mesmo. Tive pena de deixar Verona, na manhã seguinte. Depois de dar um beijo de parabéns à Cristina e de lhe oferecer um presente, saí com o André para comprar postais e tomar um café. Uma coisa que me agradou em Itália foi precisamente o café. Meses depois de ter provado o turco, achei o italiano verdadeiramente bom!

Apanhámos o comboio das onze horas para Milão e chegámos por volta da hora de almoço. Depois de matar a fome com mais uma pizza, apanhámos o metro para Il Duomo. Ao subir as escadas, na praça central, tive de abrir bem os olhos para verificar que, de facto, estava a ver aquela imagem e que tudo aquilo não era um sonho.

A catedral é arrepiante! Muito trabalhada, muito grande e muito, muito bela! Na praça central, havia também uma estátua invadida por pombos, umas quantas esplanadas e as galerias de Milão, onde se encontram algumas das marcas mais caras de todo o mundo. Gostei de entrar na loja oficial do AC Milan. Foi lá que comprei a lembrança para o meu irmão Rui. Claro!

Depois das galerias, vimos a estátua de Leonardo da Vinci e visitámos a loja do teatro La Scala. Aí a Cristina comprou uma t-shirt muito engraçada e emprestou-ma para eu poder visitar catedral. Os seguranças não me iriam deixar entrar com os ombros à mostra.

A tarde em Milão rendeu de tal maneira que ainda conseguimos descansar debaixo de uma árvore em frente a um repuxo onde muitas pessoas tomavam banho (fazia imenso calor!), visitar o castelo Sforza, o parque verde, o arco (idêntico ao do Triunfo, em Paris) e uma loja de música clássica que era, diga-se, uma verdadeira perdição! Ah!, vimos a casa do Pinóquio e tirámos uma fotografia com ele!

Jantámos numa esplanada numa das ruas principais da cidade. O atendimento foi excelente, mas o risotto que eu e a Cristina comemos não era nada de especial. Foi pena, a minha amiga merecia uma refeição mais requintada para festejar os seus anos. Não obstante, tivemos uma ideia que alegrou a nossa noite: depois de ver os preços das sobremesas e de termos chegado à conclusão que ali na esplanada elas custavam mais cinco euros, pagámos a conta, comprámos três fatias para levar e deliciámo-nos com o melhor tiramissú de sempre! Longe daquele restaurante, claro…!

Chegámos a Bergamo por volta das zero horas e trinta minutos. Uma vez que não valia a pena pagar quarto por tão poucas horas, pois o avião era bastante cedo, passámos a noite no aeroporto. Enquanto lá estive, não achei grande piada ao frio e às dores de costas que se apoderaram de mim. Porém, agora, quando olho para trás e me lembro daquela noite de Domingo, não consigo deixar de rir de mim própria por ter ideias tão loucas!

Para cá, o avião não se atrasou e, às oito horas e trinta minutos, estávamos no Porto, com Verona e Milão no coração, e com uma paixão e um apreço por Ennio Morricone ainda maiores. Um “gracia mille” a esse grande senhor da música clássica por nos ter levado a Itália. País onde espero, um dia, voltar!


Sara Gonçalves

Viagem a Itália - Parte I (Verona)

Viajar é das melhores coisas que a vida nos pode oferecer. Conhecer novos lugares, novas pessoas e novas culturas é enriquecer o nosso “eu”. Encher o peito com novos ares e dar à nossa memória novas e belas imagens é saber viver.

Hoje, vou falar-vos da minha viagem a Itália. Contarei a história desde o início, para que percebam a minha pequena (ou talvez grande) loucura.

Certo dia, a minha amiga Filipa mostrou-me um trabalho feito por si para a escola. Era sobre música e no vídeo apareciam essencialmente compositores contemporâneos. No meio de todas aquelas melodias, houve uma que me despertou a atenção. Era diferente de todas as outras. Chamava-se “Gabriel’s Oboe”. “De quem é?”, perguntei, consciente da minha ignorância. “É de Ennio Morricone, o compositor da banda sonora de um filme que assisti numa aula e adorei, A Missão. Aliás, esta música é desse filme…”, respondeu a Filipa.

Comecei a pesquisar na Internet as músicas do compositor italiano, a ver os filmes com as suas bandas sonoras e, tempos depois, comprei o dvd do seu concerto de dia 10 de Setembro de 2007, em Veneza. Chorei ao vê-lo e disse a mim própria que se um dia assistisse a um espectáculo seu morreria feliz. O destino quis oferecer-me esse privilégio. No site oficial de Ennio Morricone apareceu escrito em italiano “Concerto de Ennio Morricone, dia 11 de Setembro de 2010, na Arena de Verona – tributo ao cinema”. Liguei para a Cristina, a minha amiga música, e perguntei-lhe se não queria ir comigo a Itália em Setembro. Depressa me disse que sim e ainda mais depressa marquei passagem de avião, hotel e larguei 90 euros para o concerto na Arena.

A viagem foi no passado fim-de-semana. Partimos do Porto na Sexta-Feira de manhã, mas como o voo da Rayanair saiu uma hora depois da prevista, chegámos a Bergamo e fomos directos para a estação de comboios. Isto na esperança de arranjar um comboio que chegasse relativamente cedo a Verona. Com a pressa, o nosso almoço acabou por ser um Quebab...!

A mãe da Cristina estava certa. Os comboios italianos são muito confortáveis. Quando chegámos a Verona, fomos directamente para o hotel fazer o check-in. A recepcionista já estava à nossa espera e, mal me viu, exclamou: “Gonçalves!”. Chegámos tarde, é verdade.

Devo dizer que me apaixonei pelo hotel Verona assim que nele entrei. Com uma arquitectura moderna e situado num local central, era tudo o que eu, a Cristina e o André (que embarcou connosco na aventura) precisávamos para descansar depois de uma longa viagem. O nosso quarto ficava no último andar e tinha uma varanda com uma vista deslumbrante sobre a cidade.

Depois de um bom banho, saímos para jantar. Andámos poucos metros até chegar à maravilhosa Arena de Verona. Nessa mesma praça, havia muitos restaurantes com agradáveis esplanadas. Escolhemos um mais reservado e, claro, pedimos a bela da pizza italiana para satisfazer o nosso desejo. Como era de esperar, foi a melhor pizza que alguma vez comi!

Nessa mesma noite, ainda conseguimos dar umas voltas pela cidade e tomar um café na esplanada da Mercedes.

*

Sábado, o grande dia do concerto, começou com um maravilhoso pequeno-almoço no nosso tão estimado hotel. Depois da refeição, pegámos em três bicicletas que a recepcionista nos disponibilizou e partimos à descoberta de Verona.

Começámos por uma paragem no castelo. Tirámos imensas fotografias ao rio que o circundava, bem como aos quadros, esculturas e outras obras de arte que se encontravam expostas dentro do museu. Antes de almoço, ainda tivemos tempo para ir a uma casa de música para que a Cristina pudesse comprar partituras.

À tarde, visitámos a famosa casa de Julieta. Como era Sábado, havia uma imensidão de gente a fazer fila para entrar e para tirar fotografias com a estátua do amor de Romeu. Achei piada ao facto de ela ter um seio de fora e de todos os homens tirarem uma fotografia com a mão em cima dele. Rimos imenso com a situação!

Cumpri o que prometera depois de assistir ao filme “Letters from Julliete” e lá deixei a minha carta. Quase não coube na caixa do correio tal era a quantidade de folhas que lá se encontravam!

Antes de continuar o nosso percurso, parámos numa geladaria para provar os tão elogiados gelados italianos. E deliciámo-nos!

Já com pouco tempo, decidimos visitar o Teatro Romano em vez da tomba de Julieta. Foi uma boa escolha. Além do teatro, as ruínas romanas tinham uma capela e um museu muito bonito. Já para não falar da vista sob a cidade, que dali ainda conseguia ser mais deslumbrante!

No final da tarde, visitámos uma igreja onde tinha acabado de haver um casamento. Na entrada podia ver-se uma colecção de Porsches estacionados em filinha...

Eram seis e pouco quando chegámos ao hotel e por volta das dezanove horas já estávamos vestidos e perfumados para o momento mais aguardado da viagem. Fomos directamente à Arena levantar os nossos bilhetes e optámos por jantar numa esplanada perto da mesma. O concerto era às vinte e uma horas, por isso tivemos tempo de saborear bem a nossa lasanha e a sobremesa, que era uma mistura de morangos, com chantilly, muesli e mel. Que delícia!

Faltavam vinte minutos para o concerto quando entrámos na Arena. Lembro-me de dizer à Cristina que estava, naquele preciso momento, a concretizar um dos meus grandes sonhos. Quando vi o palco, senti as pernas tremerem. O meu coração encheu-se de alegria perante todo o esplendor que me rodeava.

A Arena esgotou para assistir ao concerto de tributo ao cinema de Ennio Morricone. É difícil encontrar as palavras certas para descrever o entusiasmo daquela multidão que aplaudia de pé o grande senhor das bandas sonoras contemporâneas. A orquestra que o acompanhava era a de Roma, bem como o coro. Senti-me uma mulher cheia de sorte!

Foram várias as lágrimas que deixei cair ao longo do concerto, no entanto, em nenhuma música me senti tão emocionada como em “Gabriel’s Oboe”. Chorei tanto, tanto! Há muito que esta se tornou a música da minha vida. E ouvi-la tocada ao vivo foi… Único!

No final do concerto, a multidão levantou-se e encetou a bater com os pés e a gritar para que Morricone volta-se e tocasse mais uma música. Foi arrepiante! Aquele barulho, aquela emoção… O maestro não só voltou, como nos deu o prazer de ouvir mais duas melodias. Senti-me em paz comigo e com o mundo que me rodeava. A Cristina e o André também adoraram o concerto e agradeceram o facto de eu me ter lembrado de ir ali. Foi bom ouvir aquelas palavras.

Ainda conseguimos aproveitar mais um pouco da nossa última noite em Verona tomando um chá numa esplanada perto do hotel. Digo-vos com toda a sinceridade que a primeira coisa que me ocorreu assim que pus os pés naquela cidade foi: “era capaz de viver aqui”.


(continua)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Momentos

Há momentos de sonho
Que são de sonho e reais,
Pequenos pedaços que colho
E que nunca são demais.

Há momentos tristes
Que tentamos esquecer
E momentos alegres
Que nos fazem viver.

Há momentos para dizer sim
E momentos para dizer não
Ainda que o sim e o não / o não e o sim
Caibam ambos na mesma mão.

Há momentos para tudo,
Mas há uns em particular:
Aqueles que guardas no teu peito
Para um dia depois recordar.

Aparecerão a qualquer instante
Sem sequer dares por isso!
O teu olhar será estrela brilhante!
E no rosto… O sorriso.

Esse sorriso!



Sara Gonçalves
Torres Vedras, 17 de Agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Contraluz - Trailer 2

Vive em CONTRALUZ!

O que significa “viver em contraluz”? Seguir o rasto da felicidade ou cruzar os braços sem saber o que a felicidade é? No pior dos cenários é nunca querer descobrir o seu significado. Significado esse que é o todo de tudo. Quase inatingível! Mas sempre que há um “quase”, há esperança. Mesmo que a consideremos difícil e, por vezes, insuportável, a vida é fácil. Preciosa. Dá-nos pistas, mostra-nos o caminho contra a inexorável luz que um dia irá chegar e tornar cegos todos os que viam sem, no fundo, nada ver. Sem nada ser. Todos os que irão ser. Amanhã. Depois. Porque é esse o nosso destino. O lugar e o momento são incertos. Apenas sabemos que, a dada altura, deixaremos de conseguir remar contra a maré. Vamos caminhar e alcançar a luz. Até lá, há que viver contra ela. Como? “Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam. E não deixem nada por fazer. Nada por dizer.” Foi o que disse António Feio. E é com estas palavras, belas, sinceras, sentidas, fortes, que termino. Vejam o trailer e corram para uma sala de cinema. Vai valer a pena, quanto mais não seja para pensar no significado de estarmos aqui... e agora.

"A vida é cura. Mas é ampla."

VIVE-A!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

"Caim", de José Saramago

“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós , nem nós o entendemos a ele .”
José Saramago

Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez fosse melhor dizer para exigir a outros - uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.

Caim não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um livro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia.

Pilar del Río.

Não diria melhor sobre este livro do que disse Pilar, a esposa de José Saramago. Mas quero acrescentar que só ele para conseguir escrever algo assim. Adorei! Deixo-o aqui como uma excelente sugestão de leitura de um dia de Verão.

Sara Gonçalves