segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os dois soberanos

«A natureza colocou a humanidade sob o governo de dois senhores soberanos, a dor e o prazer.»

Por Jeremy Bentham, em Introduction to the principles of moral and legislation.

domingo, 27 de dezembro de 2009

A relatividade humana

Estava a estudar Heraclito e Parménides, quando me apercebi que, de facto, é impossível conhecer verdadeiramente alguém. Estudamos estes autores conscientes de que, se nos esforçarmos, as probabilidades de tirar uma grande nota aumentam. No entanto, nunca podemos ir além daquilo que o nosso consciente nos diz e, como é o nosso consciente que fala e não o deles, torna-se impossível conhecer a verdade. Somos seres relativos por excelência, vemos sempre as coisas segundo o nosso ponto de vista, e é esse ponto de vista que nos limita e faz desacreditar. Aliás, chegamos mesmo alguma vez a acreditar? Por mais que tentemos descodificar aquilo que as outras pessoas nos tentam transmitir através da linguagem, nunca chegamos a saber aquilo que dizem em absoluto. As ideias só são no pensamento e nunca nas palavras. Cá fora, elas não passam de aparências. E é por o ser humano viver no mundo das aparências e não no da realidade, que aquilo que de nós nasce é apenas e só um mar infindável de opiniões.

Assim, só irei até onde a minha imaginação me deixar.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Amigo

"Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!"

Alexandre O'Neill


Nestes últimos meses, tenho descoberto, calma e cuidadosamente, saboreando cada segundo novo, como é bom ter amigos quando se está longe daqueles que sempre se amou. É triste passar um fim-de-semana longe do nosso lar, da nossa cidade, sozinha, numa casa que nunca foi, não é nem será nossa. Um lugar que, antes de pisar, já sabemos ser passageiro. A solidão é boa, mas em quantidades moderadas. Nunca se deve exagerar dela, pois o silêncio que tão bem nos sabe em certos instantes pode trair-nos. Pode mesmo tornar-se no pior dos sabores. Por isso, quando me encontro sozinha a olhar para a chuva que bate na janela do meu quarto como que a querer entrar, alguém me chama e eu vou a correr. O coração enche-se de alegria e toda eu me sinto aquecida com as vozes daquela gente que, sem pedir nada em troca, me faz sorrir o maior dos sorrisos. É o poder de uma amizade recente, jovem, promissora. É uma força que, para alguns, emerge na melhor fase da sua vida e que, para outros, faz regressar a uma juventude que até então tinha estado posta de parte. Só de parte, porque aquilo que é jovem nunca morre. Em conversas intermináveis, fala-se de tudo, de nada, num tudo e nada que só nós percebemos… e amamos. As palavras são portadoras de carinhos. E são os carinhos, os olhares cheios de ternura, a mesma paixão pela Filosofia e os mesmos sonhos que me fazem sentir tão bem na minha nova cidade. Cidade de nome belo, e de gentes e paisagens ainda mais maravilhosas!


A todos os amigos de Braga.


Sara Gonçalves

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Próspero 2010

Neste Natal frio e chuvoso, aproveito para lembrar que o melhor calor do mundo é aquele que está dentro do coração de que cada um de nós. Um sentimento que se reforça ao longo de todo o ano com palavras reconfortantes, carinhos e momentos inesquecíveis e que, por tradição, sobressai nesta época de luzes e cores. Mais do que dar e receber presentes materiais, é importante que as mãos se unam e dêem asas à melhor das sensações! Não é só no Natal que devemos lembrar-nos das pessoas que, sem família, dinheiro ou, pior, sem esperança, rezam para que estes dias de festa passem, mas sim durante todo o ano. Se não o fazemos, então, há que aproveitar esta altura para começar! Pegando em Fernando Pessoa, se Deus quiser e o homem, acrescento, mais do que sonhar, fizer, a obra nasce. Façamos, então, nascer um mundo melhor! É este o meu maior desejo para este Natal. Este e o de que, todos aqueles que leiam esta mensagem na sua caixa de correio electrónico (sim, este ano decidi inovar e desejar boas festas através de um meio mais sofisticado!), tenham uma consoada fantástica, cheia de saúde, amor e harmonia. Aproveito ainda para fazer votos de que o ano novo que se segue traga mil alegrias, com muitas realizações a nível pessoal e profissional. Que 2010 seja o melhor dos anos, que 2011 o ultrapasse e que, em 2012, os Maias se enganem e o mundo não acabe… Que a vida, a partir de hoje, vá ganhando cada vez mais BRILHO!

São os votos da amiga,

Sara Gonçalves.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"Hannah & Martin", no Teatro Aberto


«Durante os julgamentos de Nuremberga, Hannah Arendt visita Martin Heidegger, seu antigo professor, com quem tinha tido uma relação amorosa. Este encontro entre o filósofo que aderira ao nazismo e a pensadora judia que partira para o exílio nos Estados Unidos leva-os a reviver o passado e a procurar explicar o que os tinha unido e separado. Hannah e Martin é uma peça onde o universo mais íntimo das personagens se mistura com a política, a história e a ética, colocando questões pertinentes ao espectador de hoje.»
Versão
João Lourenço | Vera San Payo de Lemos

Dramaturgia

Vera San Payo de Lemos

Encenação e Realização Vídeo

João Lourenço

Cenário

António Casimiro | João Lourenço

Figurinos

Maria Gonzaga

Supervisão Audiovisual

Aurélio Vasques

Luz

Melim Teixeira

Interpretação
Ana Padrão | Cátia Ribeiro | Cristovão Campos | Diogo Mesquita | Francisco Pestana | Irene Cruz | João Ricardo | João Silvestre | Luís Alberto | Maria Ana Bernauer | Rui Mendes

HORÁRIO DOS ESPECTÁCULOS


Quartas-feiras a Sábados: 21:30h

Domingos: 16:00h.


Em exibição no Teatro Aberto, em Lisboa, de 19 de Dezembro de 2009 a 28 de Fevereiro de 2010.


ATENÇÃO: Não haverá espectáculo nos dias 23, 24, 25, 30 e 31 de Dezembro.


Mais informações em http://www.teatroaberto.com/



segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"As Memórias do Pai Natal"

Era um ambiente repleto de luz e igualmente cheio de calor humano. À minha volta estavam dezenas de pessoas em quem eu podia ter reparado, mas os meus olhos apenas se focaram no mais simples dos seres. Uma criança de rosto rosado olhava para um mar de livros repleto de histórias infantis, daquelas que nos fazem sonhar com contos de fadas e que tornam tudo muito mais fácil. É triste quando chega o dia em que as noites terminam com um suspiro de cansaço e não com um sorriso de esperança! A honestidade vai-se perdendo à medida que o tempo passa, mas, também por isso, o nosso desejo de a ter de volta cresce, e cresce. Naquele momento, olhar para aquele menino foi como ver-me ao espelho. Dantes, também era assim... Pegava num livro e sentia que podia, com as suas palavras, conquistar o mundo! O toque das folhas enchia o meu peito de conforto e o cheiro do papel era o melhor dos aromas natalícios. “As memórias do Pai Natal” - leu a criança, a olhar para o pai com um ar enternecido. Sorri com aquela simples frase e os meus olhos encheram-se de lágrimas. Foi nesse momento que percebi que vivemos mais ao acreditar em alegres utopias do que em tristes realidades.

Demónios em Mim

A loucura humana

Atinge o seu pico mais alto

Quando de boca leviana

Se soltam gritos no vácuo.

A escuridão inunda o coração

De quem já não conhece

Nada mais do que aquela respiração

Que, ofegante, não desaparece!

São os demónios que pairam na mente,

Cortando-me os sonhos com afiada faca.

Ó, vida demente!,

Esta que me mata.


Sara Gonçalves

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O marcador de livros

A vida passa-nos tanto ao lado que só hoje descobri haver a "semana da amizade" que, por sinal, decorre de 9 a 13 de Novembro. Estava sentada com os meus livros no meio da multidão quando, um menino com os seus oito ou nove anos de idade, aproximou-se da minha mesa e me perguntou, com aquela honestidade típica das crianças, se eu queria um marcador de livros. Eu, sem saber bem o que responder, fiquei a olhar aquele ser que aguardava ansiosamente pela minha resposta. "É a semana da amizade!", disse ele. "Ah! Quero sim, obrigada!". O menino estendeu-me o marcador e saiu a correr. Branco, com uma fita vermelha a colorir, o pequeno (grande) presente dizia o seguinte: "Wherever there is a human being, there is an opportunity for a kindness" ou, antes, "Onde estiver um ser humano, está também uma oportunidade de amizade" (Séneca). E foi ao ler esta frase que tive uma certeza: para onde quer que vá, este marcador de livros irá sempre comigo.

Obrigada aos meninos do Colégio Luso Internacional de Braga por espalharem a amizade e, sem muito provavelmente saberem, a Filosofia pelos cantos desta cidade!

Eu não sei o que é a saudade

Eu não sei o que é a saudade. Penso senti-la em todos os momentos, mas em todos eles não sei defini-la. Cada segundo respirável tem em si um vazio e um preenchimento. Transporta as memórias do passado, cheira saborosamente as experiências do futuro. Sou alegre para esconder o rosto da minha alma [seja lá ela o que for]; sou triste, porque não posso mentir ao meu coração. Eu não sei o que é a saudade, ainda que ela exista (ou eu pense que sim). Quantas e quantas vezes, digo sentir isso ou de alguém, ou de um lugar, ou de um momento? Quantas e quantas vezes, digo-o espontaneamente, como se soubesse na perfeição definir aquilo que dizem ser um sentimento que fica por aí e não tem mais explicação? Um sentimento é amar, não é sentir saudades do que se amou. Como poderei, então, saber o que é a saudade? Quando me interrogo sobre o porquê de estar assim, nostálgica, as imagens que os olhos do meu pensamento vêem são apenas e só as dos sorrisos que larguei pelos caminhos da vida. Logo, se o senso comum diz que a saudade é triste, está errado. Um sorriso nunca é de tristeza, mas sim de felicidade, [seja lá ela o que for]; mas as lágrimas, essas gotas de água que tanto tentamos prender no nosso corpo eternamente, quando deveríamos era deixá-las correr como o leito de um rio, podem ser o reflexo de algo muito bom que nos está a acontecer. Por isso, quando choro de saudade, choro todos os momentos que vivi e não aqueles que desejo viver. Os que desejo viver não existem. O que desejo viver não o-é. E assim é a saudade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ágora



Um épico de Alejandro Amenábar com Rachel Weisz no papel de Hipátia de Alexandria, a primeira mulher a dar cartas na astronomia, filosofia e matemática.

Estreia dia 3 de Dezembro, em Portugal.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sentada no meio do vazio

Sentada no meio do vazio,
Ouvindo o vento soprar,
A galopar foge o brio
Daquela que não mais sabe amar.

Alma solta a pairar
Sem rumo, perdida.
De que vale o respirar
Se um dia serei esquecida?

A essência do nosso Ser
Não é mais do que um Vazio,
De quem não se quer perder
Neste lugar a que chamamos Mundo.

[Mundo tão frio!]


Sara Gonçalves

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Mostra-me como as pedras são engraçadas..."

«Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.»

Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

De todos os seres

«De todos os seres, o mais antigo é Deus, que não foi engendrado; o maior é o espaço, que tudo contém; o mais rápido é o espírito, que erra por toda a parte; o mais forte é a necessidade, que triunfa de tudo; o mais sábio é o tempo, que tudo descobre.»
Diógenes Laércio

sábado, 17 de outubro de 2009

Mariza em Torres Vedras

De forma a celebrar connosco as Festas da Cidade, Mariza actuará na Expotorres, no próximo Sábado, dia 24 de Outubro, pelas 22h00. O bilhete custa 10 euros e poderá ser adquirido no Posto de Turismo de Torres Vedras.

Bom espectáculo, povo torreense!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sensações

A sensibilidade é ver
Todas as cores, todas as formas,
É não ser uma sensação,
Mas sim pertencer a todas
As sensações.
É olhar,
Ver mais do que aquilo
Que o dia mostra,
É amar
Tudo o que é belo,
E como é bela a vida!



Num momento de alegria sai algo inesperado, não sei se é um poema, se é apenas um desabafo. E não serão os desabafos pura poesia?

"Eleitores fantasma" podem ter tirado dois deputados ao Bloco

«Segundo um estudo referido pela revista Visão de 24 de Setembro, existem quase um milhão de "eleitores fantasma". Esse elevado número de inscritos inexistentes leva a que a abstenção seja inferior à divulgada, mas pode também alterar a composição do parlamento. De acordo com aquele estudo, os círculos do Porto e de Setúbal deveriam ter mais um deputado cada. No caso das eleições legislativas do passado Domingo seriam ambos do Bloco de Esquerda.
A revista Visão publicou a 24 de Setembro um artigo, que refere que um estudo dos politólogos José Bourdain e Luís Humberto Teixeira, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa, apontam para a existência de cerca de 930.000 eleitores fantasmas. Trata-se de pessoas que já faleceram, mas de que não foi dada baixa nos cadernos eleitorais, de recenseamentos duplicados ou de outras irregularidades.
Se o recenseamento estivesse correctamente actualizado, a abstenção teria sido significativamente inferior à oficialmente calculada.
Mas mais grave, segundo o referido estudo, é que o número de deputados a eleger em cada círculo sofreria correcções em quatro casos:
Os círculos eleitorais da Madeira e de Viana do Castelo perderiam um deputado e os do Porto e de Setúbal ganhariam um. Se estes dados estiverem correctos o PS elegeu um deputado a mais, por Viana do Castelo, tal como o CDS, pela Madeira. Os dois deputados, que não foram eleitos, seriam ambos do Bloco de Esquerda: Bruno Maia (Porto) e Jorge Costa (Setúbal).»

sábado, 26 de setembro de 2009

O Papel da Comunicação Social na Campanha Eleitoral

O ano passado, gostava muito da área de Comunicação Social. Hoje, um ano depois, quando me perguntam se gostava de, um dia, ser jornalista, já estou como o professor Francisco Louçã a falar de uma possível coligação com o PS: “Digo apenas três letras - NÃO”. Naqueles que foram os maravilhosos 18 anos, a idade dos sonhos, via tudo… mas, afinal, não via nada. Consigo finalmente perceber que o jornalismo em Portugal está em declínio e a campanha eleitoral serviu para mostrar, entre outras coisas, isso mesmo.

Sempre me ensinaram que o jornalismo era uma coisa séria, baseada na objectividade, com um propósito principal: INFORMAR as pessoas. Contar os factos e nada mais que isso. Contudo, isto é apenas teoria porque, em prática, os meios de comunicação social foram-se tornando uma máquina MANIPULADORA e PERIGOSA, principalmente para as pessoas mais sensíveis que se deixam levar pelas opiniões de jornalistas impostores e de comentadores foleiros. A comunicação social é tão forte, tão forte que já há muito se considera os Mass Media o “quarto poder”. Um poder que vem ao de cima todos os dias e mais ainda quando estamos em campanha eleitoral. Os jornais e os telejornais aproveitam para puxar o máximo de gente possível para o seu lado e acrescentar, sempre que podem, um ponto ao conto, à boa moda popular portuguesa. Inventam palavras, transformam outras tantas, mostram o que lhes convém e escondem o que para eles não deve de todo ser visto. Não vou especificar nem canais televisivos nem jornais, porque acho que quem está atento percebe os erros de cada um. Se eles me ajudaram a optar por um partido? Não, não ajudaram. Em vez de focar os principais objectivos e propostas de cada líder, concentraram-se nos pequenos casos que foram surgindo, como a “asfixia democrática”, o fim do Jornal Nacional de Sexta da TVI, as alegadas escutas em Belém... Com isto, em apenas duas semanas, Portugal conseguiu esquecer os erros do engenheiro José Sócrates ao longo de quatro anos e meio de legislatura e fechar os olhos ao que é verdadeiramente importante. Brilhante. Só o nosso país consegue tal feito. Afinal, somos bons em alguma coisa, quanto mais não seja a fomentar palhaçadas! No entanto, não falando só mal e fazendo justiça, há que salientar aquela que foi, na minha opinião, a única coisa boa que a televisão conseguiu transmitir aos portugueses: os debates entre os líderes dos partidos. Serviram para dar “um cheirinho” dos programas de cada um e ainda para atiçar risadas com os olhares matadores que estes fizeram uns aos outros. Quanto ao Gato Fedorento, também não foi mau de todo, pois para aqueles que não gostam de política, mas que são fãs deste tipo de programas de entretenimento, esta foi uma boa oportunidade de apanharem aqui e ali uma frase que os situe mais ou menos no que se vai passando. De resto, volto a focar a falta de qualidade que existe em termos jornalísticos no nosso país, esperando que, pelo menos amanhã à noite, quando as televisões estiverem a apresentar os resultados eleitorais, sejam mais discretas no que toca às suas preferências políticas.
Para terminar, apelo a todos que não se deixem enganar pela opinião de pessoas que, muitas vezes, nem percebem do que estão a falar, e concentrem-se no que realmente importa. Para votar com consciência, melhor do que ficar petrificado em frente à televisão é ler o programa de cada partido e, depois, optar por escolher aquele cujas ideias vão mais de encontro ao Portugal que vocês querem ver ser construído nos próximos anos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

"Está na Hora!"


Vozes: Fernando Mariano, Sofia Cunha
Trompete: Nuno Reis
Bateria e baixo: Luís Candeias
Guitarra: Sérgio Vitorino
Teclas: Pedro Rodrigues
Letra: Pedro Rodrigues, Jorge Costa e Sérgio Vitorino
Música: Pedro Rodrigues, Sérgio Vitorino

BLOCO DE ESQUERDA




(Fotografias do comício de dia 22 de Setembro, em Braga, retiradas do site www.esquerda.net)


É com um enorme prazer que vos anuncio que fui ao comício que o Bloco de Esquerda deu ontem, aqui, em Braga. Fui a 2ª pessoa a sentar-me (e na fila da frente - estive ao lado de Ana Drago, que fez um belíssimo discurso na AR no Parlamento dos Jovens do Secundário - e só um senhor se encontrava entre mim e Francisco Louçã). Estava ansiosa para que a festa da Esquerda (com E maiúsculo, pois isto sim é uma Esquerda verdadeira) começasse! Mais uma vez, o líder do Bloco usou na perfeição o seu poder de oratória, pondo os simpatizantes deste partido orgulhosos das ideias e da política por ele seguidas. Francisco Louçã que, saliento, acabou a sua licenciatura em Economia com uma média de 20 valores (quem disse que ele não percebia do assunto?), concentrou mais o seu discurso nos problemas que o país está a atravessar e demonstrou através da palavra que nem Sócrates (que usa uma política de direita) nem Manuela Ferreira Leite (que nem sabe que política usa) são opções credíveis. O voto útil não consiste em votar PSD para tirar o PS do Governo, mas sim em votar com consciência no partido que achamos ser o mais correcto e responsável, que segue sempre a mesma linha, que não falta à sua palavra. Um partido que sabe dizer SIM quando é necessário e NÃO quando é essa a resposta. Se votarmos sempre PS e PSD, o país não irá para a frente, pois já se viu ao longo de todos estes anos que nada do que foi feito por esses senhores ajudou Portugal a alcançar o estatuto que tanto merece. Por isso, fazendo o meu papel de boa militante do BE, apelo ao vosso voto no próximo Domingo. Vamos ajudar Francisco Louçã para que ele nos ajude a nós, vamos ajudar o Bloco de Esquerda a conseguir o maior número de deputados possível na Assembleia da República! O Bloco merece. O PAÍS MERECE.


Para saber mais informações sobre o BE, podem sempre aceder a http://www.bloco.org/ ou http://www.esquerda.net/ . Lá poderão encontrar todas as informações que procuram e, de salientar, o programa eleitoral do partido.


Posso já aqui destacar algumas das propostas do Bloco de Esquerda para que, quem não as conhece, fique com uma ideia...

- Proibição de despedimentos colectivos em empresas com lucro;
- Subsídio para todos os desempregados;
- Fim dos falsos recibos verdes e limitação dos contratos a prazo;
- Nacionalização do sector energético;
- Aposta em investigação das energias renováveis nas universidades;
- Direito a reforma após 40 anos de descontos;
...

Podem ainda assistir aos vídeos do tempo de Antena do Bloco (vale a pena!) no Youtube ou indo directamente ao site (na opção "Propaganda"). Deixo-vos aqui o link de um deles (para ver... e rir!): http://www.youtube.com/watch?v=Y8ZtwKHEuq4

Já sabem...

DOMINGO, dia 27, VOTA BLOCO DE ESQUERDA! Uma ESQUERDA de confiança com vista à JUSTIÇA na ECONOMIA!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Tempo

O tempo não pára.
Veloz, inflexível,
Na triste dança dos dias
Que a todos apanha
Desprevenidos.

O tempo não espera.
Sôfrego, implacável.
Que importam as nossas vidas?
Qual futuro que venha!
Somos sempre vencidos.

O tempo não perdoa.
E de que serve o perdão invisível
Se as noites são frias
E nem a maior força humana
Evita estarmos perdidos?

O tempo não pára, não espera, não perdoa.

O tempo capitaneia a vida
Sem dó nem piedade
De quem ainda tem tanto por viver
E não vive mais por não poder
Neste mundo em que o tempo manda.

"Corrigindo Beethoven"



Um filme sublime e imperdível para os amantes da música de Beethoven. Destaque para a excelente interpretação do actor Ed Harris. Se quiserem ler mais sobre o mesmo, acedam a http://criticaartistica.blogspot.com/2006/11/corrigindo-beethoven.html. O autor deste blogue fez um excelente resumo crítico sobre "Corrigindo Beethoven", eu confesso que não faria melhor, por isso, aqui deixo a sugestão.

sábado, 12 de setembro de 2009

A Vida e a Arte

«Se tivéssemos uma verdadeira vida não teríamos necessidade de arte. A arte começa precisamente onde cessa a vida real.» Richard Wagner

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Craig Armstrong ("Love Theme")


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

"Para a minha irmã"

«Sara e Brian Fitzgerald são pais de duas crianças e formam uma família feliz. No entanto, a vida deles muda para sempre quando descobrem que a sua filha de dois anos, Kate, tem leucemia. A sua única esperança é conceberem outra criança, especificamente destinada a salvar a vida da irmã. O resultado é Anna. Kate e Anna partilham laços muito mais próximos do que a maioria das irmãs: embora Kate seja mais velha, ela depende da sua irmã. Na verdade, a vida dela depende de Anna. No entanto, Anna, agora com 11 anos, diz "não". De forma a obter emancipação médica, ela contrata o seu próprio advogado, iniciando um processo judicial que divide a família e que poderá deixar o futuro de Kate nas mãos do destino...»

Estreia dia 17 de Setembro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lista de filmes de Filosofia

1. Doze homens e uma sentença
Conteúdo Estruturante – Mito e Filosofia
Conteúdo Específico – diálogo (maiêutica)

2. O Nome da Rosa
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Pensamento na Idade Média

3. Lutero
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Pensamento na Idade Média

4. Joana D’Arc
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Pensamento na Idade Média

5. Em nome de Deus
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Pensamento na Idade Média

6. Frankenstein de Mary Shelley
Conteúdo Estruturante – Filosofia da Ciência (ou Ética)
Conteúdo Específico – Ética e Ciência

7. Gattaca: uma experiência genética
Conteúdo Estruturante – Filosofia da Ciência (ou Ética)
Conteúdo Específico – Ética e Ciência

8. Matrix
Conteúdo Estruturante – Mito e Filosofia
Conteúdo Específico – Mito da Caverna (Platão)

9. O Enigma de Kasper Hauser
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Estado de Natureza (jusnaturalismo – homem natural) –
Jean-Jacques Rousseau

10. O amor contagia (Paty Adams) e À Procura da Felicidade (Will Smith)
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo específico – Virtude (felicidade)

11. Vidas sem rumo e Encontrando Forrester
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo Específico – Amizade

12. Efeito Borboleta e Um sonho de Liberdade
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo Específico – Liberdade em Sartre (ética e responsabilidade)

13. Todos os homens do Presidente
Conteúdo Estruturante – Filosofia Política
Conteúdo Específico – Poder

14. Cry Wolf: o jogo da mentira
Conteúdo Estruturate – Teoria do conhecimento
Conteúdo Específico – O problema da verdade

15. Free Zone
Conteúdo Estruturate – Filosofia Política
Conteúdo Específico – Política no Oriente Médio

16. Closer
Conteúdo Estruturante – Mito e Filosofia
Conteúdo específico – (verdade – Filosofia)

17. Crash
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo Específico – Racismo, Preconceito

18. O homem sem sombra
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo Específico – comportamento moral

19. O Informante
Conteúdo Estruturante – Ética
Conteúdo Específico – Comportamento moral

20. Quem somos nós
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Existencialismo

21. Germinal
Conteúdo Estruturante – Filosofia Política
Conteúdo Específico – Exploração do trabalho (trabalho escravo)

22. Muito Além do Jardim
Conteúdo Estruturante – Teoria do Conhecimento
Conteúdo Específico – Ideologia

24. Documentário/Filme: “Quem somos nós?”
Conteúdo Estruturate – Filosofia da Ciência
Conteúdo Específico – A verdade nas ciências

25. Filmes que retratam aspectos sociais e políticos:
a) Tropa de Elite
b) Olga
c) Zuzu Angel
d) Cidade de Deus

Nota: Esta lista foi retirada do link: http://aufklarungsofia.pbworks.com/f/LISTA+DE+FILMES+PARA+FILOSOFIA.pdf

Um voto com consciência

Com as eleições legislativas à porta, muitos portugueses encontram-se num tremendo dilema: o que fazer? Devo ir votar? E em quem? E se votar em branco? Ou se votar nulo? Em primeiro lugar, é preciso cada pessoa tomar uma postura racional e ter em conta o caos em que o nosso país se encontra, não só em termos económicos, como também em termos sociais e educacionais. Estamos, neste momento, a atravessar uma crise pior do que aquela que se fez sentir em 1929 nos EUA. É preciso haver uma mudança, mas isso já todos sabemos, o problema é que uns sabem agindo e outros sabem nada fazendo (e assim é o verdadeiro português). Portugal, de um ponto de vista geral, é um país comodista, talvez por ser envelhecido, surgindo apenas aqui e ali uma pessoa ou outra com espírito revolucionário. Além disso, temos o enorme defeito de votar sempre nos mesmos partidos: quem é de esquerda vota PS, quem é de direita vota PSD. Por isso, Portugal não sai da “cepa torta”, limitando-se a ter no governo políticos esquerdistas que usam resoluções direitistas e políticos direitistas de um conservadorismo extremo. Falo, claro está, de José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, dois dos piores candidatos a primeiro-ministro que o nosso país já conheceu. Mas a verdade é que um deles irá ganhar e contra isso nada há a fazer. Resta-me portanto, apelar a duas coisas que, a meu ver, são de extrema importância: em primeiro lugar, todos os portugueses recenseados têm, mais do que o direito, a OBRIGAÇÃO de votar. Foi algo por que lutámos, (recordemos quantas mulheres foram castigadas por lutarem pela sua emancipação neste campo) e, como tal, temos o dever de nos dirigirmos às urnas no próximo dia 27 de Setembro. É preciso AGIR. Em segundo lugar, pretendo explicar a diferença entre voto nulo e voto branco, pois acho que muita gente não a percebe. O voto nulo pode ser ou não intencional: se nos enganarmos a marcar a cruz e riscarmos, o voto é anulado; se, propositadamente, escrevermos palavras positivas ou negativas aos candidatos na folha de voto, este também fica sem efeito. Votar nulo não é um gesto de protesto, é um gesto intencional ou, se for com intenção, estúpido. Já votar em branco significa protestar. No entanto, pensemos: de que serve votar em branco numa altura como a que vivemos? O desagrado só nos deixa uma alternativa: votar no candidato que nos pareça mais correcto (ainda que às vezes esse seja um trabalho difícil). Outra coisa: será insustentável para Portugal ter outra maioria absoluta e creio que isso não acontecerá. Espero, sinceramente, que os partidos pequenos cresçam tanto quanto merecem, pois eles sim mostram o nosso descontentamento e evitam a catástrofe de termos nos próximos tempos uma Assembleia da República governada por uma única vontade. Como esta última que, para mim, não foi menos que pura ditadura.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Frente-a-frentes Legislativas 2009

Dia 2 - 20h45 - José Sócrates x Paulo Portas (TVI)
Dia 3 - 20h45 - Francisco Louçã x Jerónimo de Sousa (SIC)
Dia 5 - 21h15 - José Sócrates x Jerónimo de Sousa (RTP)
Dia 6 - 20h45 - Francisco Louçã x Manuela Ferreira Leite (TVI)
Dia 7 - 20h45 - Paulo Portas x Jerónimo de Sousa (SIC)
Dia 8 - 20h45 - José Sócrates x Francisco Louçã (RTP)
Dia 9 - 21h45 - Manuela Ferreira Leite x Jerónimo de Sousa (TVI)
Dia 10 - 20h45 - Manuela Ferreira Leite x Paulo Portas (RTP)
Dia 11 - 20h45 - Paulo Portas x Francisco Louçã (RTP)
Dia 12 - 21h00 - José Sócrates x Manuela Ferreira Leite (SIC)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"Chamava-se Sara", de Tatiana de Rosnay


Uma história perturbante. Um enorme sucesso internacional.

«Julia Jarmond, uma jornalista americana casada com um arquitecto francês, investiga uma página negra da história francesa recente: a rusga através da qual a Polícia Francesa, na madrugada do dia 16 de Julho de 1942, levou mais de 8 000 judeus franceses para o recinto desportivo do Vélodrome d’Hiver, para que aí ficassem até serem deportados para os campos de concentração. Descobrindo, horrorizada, o calvário de todas aquelas pessoas que, durante dias, sem água nem alimentos, ficaram a aguardar a deportação, Julia interessa-se, em particular, pelo destino de Sara, uma menina entre as mais de 4 000 crianças que ali estiveram. Sara, acreditando que estava a proteger Michael, o seu irmão mais novo, fechara-o à chave num armário, prometendo-lhe que iria buscá-lo depois. E depois não conseguiu. Em Paris, em 2002, Julia, enquanto percorre o passado de Sara, a rusga, a deportação, acaba por ter de reavaliar o seu próprio lugar naquele país, naquele casamento e naquela vida.»
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Digamos que não li este livro. Devorei-o. Cada palavra encontra o seu sentido ao longo das 356 páginas que nos fazem sonhar, chorar e, acima de tudo, pensar. Pensar na inteligência e coragem de uma menina de apenas 10 anos que faz de tudo para proteger o seu irmão mais novo. Confesso que a meio do livro senti uma grande indisposição, não daquelas indisposições que nos fazem dizer "Que horror, nunca mais pego nisto!", mas sim "Meu Deus, como é que se escrevem coisas assim?". É um livro muito forte, tão forte que senti o olhar das personagens e o cheiro das coisas. Toquei em tudo. Entrei na história e vivi-a, possivelmente mais do que em qualquer outro romance. Talvez porque a menina se chamasse Sara.
Uma boa sugestão para quem gosta de ler sobre os horrores do Nazismo aos olhos das crianças.